domingo, 25 de outubro de 2009

Se perguntarem por mim, digam que voei.

Disclaimer: O blogger e a autora estão isentos de toda e qualquer responsabilidade referente ás opiniões/ofensas proferidas nesta crónica, podendo conter ainda informação pessoal legalmente protegida por nomes fictícios. 
 
  - Ansiedade? Como ansiedade?! Há dois meses que tomo Ansiten e estou cada vez pior!
Gritou Rita, indignada, encarando o olhar espantado do seu médico de família. Na verdade, haviam cinco meses que Rita não passava um único dia bem disposta, feliz e sem dores. Todos os dias se repetiam caracterizados por um mar de tortura que se estendia entre dores de cabeça, tonturas, vómitos, dores agudas no peito, palidez, queda de cabelo, má disposição, falta de memória, arritmias e taquicardias, suores, ataques de pânico, paragens de digestão, dores de barriga e sensações de desmaio. Os dias passavam e o nó na garganta tornava-se cada vez mais apertado; o buraco no peito cada vez maior e mais vazio. A vontade de viver cada vez mais ténue. Rita sentia-se a morrer.
  - Sim, ansiedade Rita! Já fizeste vários exames e está tudo bem contigo a nível físico. Estas análises mostram apenas uma alteração a nível da TSH, nada de preocupante e nada que justifique esses sintomas que dizes ter. Todos esses sintomas são de forro psicológico!
Rita baixou o olhar, acabando por cerrar os olhos, enquanto fazia pressão com o indicador o e polegar entre as sobrancelhas. Nada fazia sentido. Na verdade já fizera dois ECGs, um Raio X ao tórax, uma prova respiratória e uma prova de esforço. Todos estes exames tinham resultado dentro da normalidade. Rita suspirou.
  - Não há mais nenhum exame que eu possa fazer? - perguntou com a voz a falhar-se-lhe.  
  - Não Rita, lamento. Não tens sintomas que justifiquem outros exames. Posso é mandar-te repetires as análises à TSH e aos anticorpos para ver-mos de que se trata esta alteração.
Rita consentiu. Desistira. Que argumentos lhe eram possíveis proferir? Que mais poderia ela fazer? O médico insistia no seu diagnóstico: ansiedade.
Semanas passaram. As novas análises chegaram, revelando que Rita tinha hipotiroidismo, ou o que quer que isso fosse. O que era facto é que a cada dia que passava, tormentosamente devagar, Rita sentia-se cada vez mais fraca e mais doente. As dores de cabeça eram cada vez mais agudas. As tonturas tinham-se tornado autênticos carroceis. As paragens de digestão aconteciam agora aos pares durante a semana. As arritmias, taquicardias e dores no peito faziam-se sentir furiosas. As más disposições acompanhadas por vómitos passaram a ser uma condição e as sensações de desmaio cada vez mais eminentes. Rita chorava. Não sabia se por medo ou por angústia. Chorava, simplesmente, envolvida em seus braços, apertando-os firmemente contra o peito pungente, na tentativa de atenuar sua dor.
  - Pois... hum hum... É... hum hum... - o médico de família empunhava os papeis da análise diante de seu nariz, lendo-os atentamente. - Sim. - vociferou por fim, poisando os papeis e encarando Rita com um sorriso esboçado nos lábios. - Como te disse, não há razão para alarmes. Os valores estão um pouco elevados, mas não o sufici-
  - Doutor, peço desculpa, - interrompeu-o Dona Ana. - mas penso que, na minha opinião, estes valores deveriam ser estudados... que mais não fosse com uma ecografia tiroideia...
Dona Ana, mãe de Rita e enfermeira decorosa, acabara de perder a paciência com a negligência do médico de família. Um breve olhar entre os dois consumou-se, dando origem a um barafusto por parte do médico.
  - Sim... Claro!... Como queira, claro, podemos... sim... - barafustou enquanto rabiscava na folha a prescrição da ecografia tiroideia. - sim... pronto. Aqui tem.
Mais semanas se passaram. A ecografia veio confirmar tiroidite de Hashimoto. Confirmou tudo, mas não ajudou nada. Rita sentia-se à beira de um precipício, segura apenas num velho tronco de árvore, prestes a dar de si, a qualquer momento. O buraco de seu peito gritava, doía todos os dias. A sua cabeça parecia querer explodir. A sua dieta tivera que se resumir a líquidos, cozidos e grelhados, para evitar ao máximo paragens de digestão. Rita já se sentia num limbo entre o consciente e subconsciente. Não reparava, mas adormecia, a maioria das noites, a chorar.
Entretanto, as semanas acabaram por se transformar em meses, até que Rita acabou por consultar um endócrinologista acompanhada pela mãe.
No caminho para casa, Rita não proferira uma única palavra. Quando chegou, dirigiu-se para o quarto, sentiu uma breve tontura e deitou-se na cama. Lembrou então as palavras do médico, não contendo as lágrimas, que como que por auto-recriação, lhe correram pelo rosto. Não era certo o desaparecimento total dos sintomas com o tratamento medicamentoso, mas todos eles, ou a sua grande maioria, eram derivados do hipotiroidismo. Rita inspirou profundamente. E continuou a lembrar as palavras do médico na sua cabeça. Rita seria dependente de medicação para o resto da sua vida. As lágrimas escorriam-lhe agora duas a duas pelo rosto deitado sobre a almofada. Olhou a estante, e reparou no canto superior direito, onde se encontrava a sua colecção de livros de quando era criança, entre os quais um vasto leque de obras de Alice Vieira. Lembrou o seu livro preferido dessa altura, e leu o seu título em voz alta.
  - "Se perguntarem por mim digam que voei". - disse Rita, esboçando um sorriso irónico e deixando escorrer algumas lágrimas que ainda lhe nasciam nos olhos.
E adormeceu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

El Don Juan

Aconteceu-me uma coisa terrível. Ou melhor: aconteceram três. Em três dias distintos. Não, não! Deixem-me corrigir: Está a acontecer-me uma coisa terrível.
Antes de explicar o que se passou (e está a passar), devo salientar o importante facto de que sou uma pessoa extremamente reservada, tímida e anti-social. Por estes e por outros motivos é-me completamente alheia qualquer e toda responsabilidade referente ao que vou proferir já de seguida. Sendo que nenhuma destas situações foram, de forma alguma, provocadas (!) pela minha pessoa.
Foi na terça-feira da primeira semana de aulas deste ano lectivo, durante a aula de geografia, que me foi imposta a coexistência com aquela criatura. Doravante referido como criatura, o ser humano de que falo tem, na verdade, um nome, do qual não faço ideia nem tenciono fazer. Muito provavelmente é dono de um tal nome capaz de fazer jus à sua óbvia etnia africana. Mas adiante, que este blogue já começa parecer roçar na intolerância racial, um patamar muito mais à frente do qual, alguma vez, pretendi chegar. E por isso mesmo, vou pedir imensas desculpas, e introduzir um curtíssimo disclaimer. Disclaimer: Não sou racista. Além de conhecer e simpatizar com várias pessoas de etnia africana e muçulmana, namoro com um rapaz de ascendência indiana e amo-o profundamente.
Continuemos então, já que que ficou tudo mais esclarecido do que seria de esperar. Foi então nesta aula de geografia, à qual a criatura chegou com meia hora de atraso, que os nossos olhares se cruzaram a primeira vez. Percorrendo sinuosamente a sala com um olhar que vislumbrava uma mão cheia de carteiras vazias, a criatura acabou por se decidir sentar a meu lado. Movia-se lentamente qual cágado trôpego, acabando por demorar quinze minutos a cumprir uma tarefa de um. Acabou por receber uma reprimenda oral da professora, que, já sem paciência, o mandou despachar-se a sentar-se e arrumar as sebentas na carteira. Sim, a criatura encontrava-se ainda à volta desta fatigante tarefa. Passados uns vinte minutos olhou-me e esboçou um sorriso.
-É uma seca, não é? - perguntou-me enquanto me fixava, esperando uma reacção. Isto só a mim... Ali estava eu, lado a lado com uma criatura que me enervava solenemente só com a rapidez (ou melhor: falta dela!) do seu movimento corporal. Não obstinada com isso, a criatura decide ainda falar comigo. Porreiro.
Acabei por esboçar um sorriso capaz de abrandar o trânsito, em resposta. E assim ficou.
Para mal dos meus pecados, após esta tentativa de diálogo de conveniência da sua parte, a criatura acabou por se sentir no direito de me sorrir e cumprimentar com um aceno (o mais lento do mundo), quando passava por mim na escola. Que pânico. Foi então que, numa das passadas Quartas-feiras, no intervalo, a criatura se encheu de coragem.
Eu, como em todos os intervalos, estava sentada à janela da escadaria principal, a comer um pão de leite misto.
- Olá... Tudo bem? - cumprimentou-me timidamente, com o olhar saltando entre a minha cara e o meu pão de leite, perguntando-se, talvez, se viria em boa altura. Claro que não. Nem naquela nem noutra qualquer. Mas ele não sabia.
- Tudo, e contigo? - perguntei eu, sem o mais pálido interesse em qualquer tipo de resposta que ele me pudesse oferecer.
- Sim... Então... que se faz?
Revirei os olhos quase num automatismo latente. Que merda de pergunta era aquela? Inspirei fundo.
- Nada. - suspirei.
Ficou calado a olhar-me com um sorriso de Mona Lisa. Não parecia esperar que eu dissesse mais nada. Alternava o olhar fixamente entre os meus olhos e as minhas feições do rosto, como se estivesse a tirar um retrato mental.
Ainda ia a meio do meu pão de leite misto, mas perdera a fome. Toda aquela situação extremamente embaraçosa e estranha estava-me a dar a volta ao estômago. Estava a atingir um patamar entre o desespero e a fúria. Ele deve ter acabado por notar algo na minha cara.
- Foste à última aula de geografia? - perguntou apressadamente, fazendo uma pausa para avaliar a minha expressão - Eu não fui... queria os apontamentos... se tivesses...?
- Lamento, - disse, levantando-me - também não fui à última aula. Devias perguntar a outra pessoa. Agora tenho mesmo que ir a História.
- Ok. Até amanhã. - disse a criatura, baixando o olhar.
Apressei-me a subir as escadas. Ao passar a ogiva da entrada, deitei o resto da minha merenda no lixo. Dirigi-me para a sala número sete, apesar de faltarem 10 minutos para que a porta se abrisse.

* *

Passaram-se semanas sem que a criatura excedesse os limites da simpatia, falando ou acenado (lentamente...), apenas para me cumprimentar. Claro que em parte, todo este mar de rosas se podia dever ao facto de eu ter deixado de frequentar a janela da escadaria. Passei a merendar no bar. Em mesas destinadas a esse mesmo propósito e rodeadas de gente. Um local que, muito provavelmente, não incentivaria nem encorajaria a criatura de me abordar. Muito pelo contrário. De qualquer forma todas estas suposições não passavam disso mesmo: meras suposições.

* *

Ontem decidi, pela primeira vez, levar merenda de casa. Parecendo que não, nestas merendas matinais do bar, ficava quase metade da minha semanada. E, assim sendo, optei por trazer merenda para a escola e poupar vinte cinco euros por semana.
No intervalo, confesso ter sentido algum embaraço relativamente à minha merenda caseira... e por isso dirigi-me para as escadarias. Mas, em vez de as descer em direcção à janela, optei por subi-las. Acabei por me sentar nas escadas a merendar.
- Olá... estás boa?
Eu reconhecia bem aquela voz grave, lenta e arrastada. Não podia acreditar. Rodei a cabeça, lentamente, para olhar a criatura. Acenou-me num movimento lento e trôpego, enquanto esboçava um sorriso e me fixava com aquele olhar demente.
-Sim, estou. E tu? - disse, sem pensar, entre mascadas, e sentido um ataque de desespero a aproximar-se.
-Também... Então... que se faz? - perguntou.
Isto não podia estar a acontecer. Que merda pá. Olhava-me fixamente, quase como se estivesse a saborear cada traço do meu rosto e do meu olhar. (agora veio-me à cabeça aquela música do Jorge Palma que tem um verso assim parecido... que giro. como se isto já não estivesse a correr suficientemente mal; precisava mesmo de ficar com uma música romântica na cabeça. sim. obrigada. boa noite.) Que porra queria aquela criatura? Que iria naquela cabeça?! Porque me olhava ele assim?!
- Não vês? - acabei por dizer, a perder a paciência.
Olhou-me desnorteado e relutante. Olhou a minha sande de queijo (ou o que restava dela) e o meu bongo de laranja por breves segundos, voltando a fixar-se nos meus olhos.
- Que seca... não se passa nada. - disse, visivelmente infeliz.
Baixou o olhar e brincou um pouco com o atacador desabotoado. Notei-lhe uma expressão pensativa e triste. Suspirei.
- Bem... o que vale é que isto é só de manhã. - acabei por dizer, sentido alguma pena da criatura e procurando reconforta-lo.
Arregalou-me os olhos e esboçou um sorriso. Ficara notavelmente contente com a minha súbita cooperação no diálogo de conveniência que criara. Voltou a fixar-me indelicadamente, o que me deixou desconfortável e arrependida.
- É... mas eu não tenho mais aulas hoje... - disse-me, expectante.
Pronto. Parou tudo ao quadrado. What the fuck?!
- Não tens..?! Então o que é que estás ainda aqui a fazer?!
- Ah... - olhou-me, indeciso e envergonhado, acabando por balbuciar - Estou a fazer um pouco de tempo, para não ir já para casa...
- Ainda há bocado disseste que isto era uma seca...
Nem sei para que me dei ao trabalho. Só estava a dar importância àquela conversa de merda. Engoli o que restava da minha sande e bebi o resto do meu bongo de laranja de um trago. Levantei-me de um salto.
- Tenho que ir para a sala. - afirmei, pegando nas minhas coisas e afastando-me, de forma rude.
- Ok... Então eu vou beber um sumo. - disse, seguindo a direcção do bar de forma lenta e trôpega.
Encontrava-me, pela segunda vez, à porta de uma sala fechada. Que só se abriria daí a uns dez ou quinze minutos.

* *

Hoje quando cheguei à escola sentei-me na sala de convívio, como todos os dias. Faltavam ainda quinze minutos para a aula começar. Mudei a música que estava a ser executada no meu ipod e quando voltei a olhar em frente ia sofrendo uma síncope.
Fixava-me insolentemente.
Aproximou-se lentamente. Mais parecia uma enorme lesma preta. Que ódio. Que cólera. Ah... se o olhar matasse!
- Bom dia... tudo bem? - perguntou sorrindo e fixando-me com mais insolência ainda.
Limitei-me a esboçar um sorriso. Um dos mais forçados que já esboçara na vida. Segurava o phone esquerdo perto do ouvido, com um ar impaciente e rude, de sobrancelhas erguidas, esperando sem interesse nem vontade que ele dissesse mais alguma coisa. Ele apercebeu-se disso. Olhou-me confuso, poisou a mala ao meu lado e dirigiu-se ao bar.
Aproveitei logo, coloquei o phone, aumentei o volume da música até todo o som que me rodeava se tornar inaudível. Peguei no ipod e comecei a jogar Klondike.
Vi, através minha visão periférica, que a criatura pegara na mochila e se sentara ao meu lado, fixando-me, esperando que o olhasse ou notasse que ele já ali estava. Fingi não notar nada, ao que ele se acabou por levantar e dirigir para o bar novamente. Entretanto sentou-se outro moço ao meu lado. Suspirei de alívio pelas duas razões. A primeira: já não se poderia sentar a meu lado. A segunda: ainda não ganhara, claramente, confiança suficiente para me tocar no ombro ou assim, em forma de chamada de atenção.

Estou, portanto, à beira de um belo poço de merda.

domingo, 18 de outubro de 2009

Agradável decadência.

É assustador redigir textos pessoais a um ninguém. Mas é ainda mais assustador não poder abordá-los oralmente ou até mesmo por escrito a um alguém, simplesmente porque se tratam de um conjunto de temas monótonos, cansativos e pesados. E as pessoas não gostam deste tipo de coisas. E também não me sinto à vontade de as estar a molestar com o que quer que seja. Assim sendo, prefiro os textos para ninguém.

Todo o rumo da minha vida tem-se desenrolado e enrolado ao sabor de decisões baseadas em interesses não fundamentados e com prazo de validade. Apesar de tudo isto, ainda se faz ver uma pequena e fraca luz, ao fundo de um sombrio túnel, carregado pela incoerência e pelo improviso.
É gratificante o prazer, que aparentemente se faz sentir, proveniente de uma constante auto agressão e destruição.
Nada parece ser suficiente.
Não sei se o meu veado voltará a florir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Oh Afonso! Anda cá ver isto!

Sou nacionalista. Não vou estar com rodeios, pelo simples facto de que não tenho muita paciência para retórica; e assim sendo, agarrarei o touro pelos cornos. Além de extremamente nacionalista, partilho também de uma preferência de direita politica, não sendo agora relevante entrar em pormenores de preferências partidárias ou até mesmo de ideais político sócio-económicos.
Queria abordar nesta crónica as consequências do fenómeno imigratório que Portugal tem sofrido ao longo das últimas décadas.
Bom, não sou racista, nem xenófoba e muito menos anti-imigração. No entanto sou completamente contra o multi-culturalismo, contra a atribuição de nacionalidade portuguesa a imigrantes e contra a falta de controle rigoroso na imigração. Sim, porque não sei até que ponto é que as vossas queridas alminhas estão conscientes de que o número de imigrantes ilegais em Portugal corresponde, neste momento, a mais do dobro do número de imigrantes legais. Estando neste momento os nossos compatriotas brasileiros na liderança das tabelas percentuais de imigração ilegal seguidos pelos romenos. E também não sei até que ponto é que estão conscientes da mãozinha das máfias de leste no meio destes números todos.
Começaremos pelo principio. Década de 70. Ah sim... a liberdade. Foi nesta década dada a independência a várias colónias portuguesas, sendo que o próprio processo de descolonização acabou por provocar revoltas sociais nas mesmas e descontrolo. Assim sendo Portugal não só recebeu os seus retornados (portugueses brancos e suas famílias) como recebeu ainda um número assustadoramente enorme de imigrantes africanos das ex-colónias. Das várias comunidades africanas que imigraram para Portugal nessa altura temos duas que se destacam pelo peso crescente até à década de 90: a comunidade cabo-verdiana e a comunidade angolana. Estas comunidades fixaram-se sobre tudo, onde ainda hoje habitam em maior numero: na periferia de Lisboa (Amadora, Loures, Sintra e Almada). Voltando ainda à década de 70: claro que isto não vinha assim a calhar tão mal. Portugal na década de 60 perdera imensa mão de obra, que acabara por emigrar para a Alemanha, França e Canadá em busca de melhores condições de vida. E era necessária muita mão de obra para iniciar as obras de infraestruturas subsidiadas pela UE para o desenvolvimento do país e para preparação da entrada na mesma. Ou seja, juntado o útil ao agradável lá se foi legalizando gente durante a década de 80. E lá acabámos por reunir todos os requisitos mínimos para a entrada na UE, que se deu em 86. O fenómeno imigratório oriundo das ex-colónias continuou a acontecer durante a década de 90. Mas foram iniciadas nesta década um conjunto de obras faraónicas que necessitaram também muita mão de obra e por isso não foi mostrada muita preocupação a este assunto, pelo contrário. Estou a falar nomeadamente da expo 98, da ponte Vasco da Gama e etc etc. Um conjunto de obras desmedidas que caracterizaram esta década. Mas que acabaram. E quando acabaram, essas pessoas que, Deus me perdoe, não têm qualquer tipo de estudos, mal se sabem comportar em sociedade, mal falam português correctamente, não conseguiram arranjar trabalho em mais lado nenhum que outras obras de menor magnitude. Para piorar toda esta situação em 1999 deu-se um novo fenómeno imigratório, provocado pela abolição das fronteiras europeias onde acabámos por receber números completamente descontrolados e descabidos de imigrantes de leste e do Brasil, apesar de continuarmos a receber ainda africanos, mas não em número tão significativo.
Portugal encontrava-se agora numa situação completamente precária. Foi então que em 2001, em desespero de causa, se deu a última legalização extraordinária, sendo legalizada imensa gente e tendo sido proibida a legalização de imigrantes que para cá viessem depois desta data. Acontece que em 2003 se deu um fenómeno brutal de imigração que provinha agora do Brasil, ligado na sua maioria ao tráfico de mulheres para a prostituição.
Portugal foi forçado a olhar a realidade. Os africanos que se concentravam na periferia teriam procriado que nem coelhos, já tinham criado uma terceira geração desde a década de 80 e representavam agora um número assustador e ameaçador de gente, na sua maioria ilegal, sem estudos, sem qualquer tipo de conhecimento acerca de Portugal ou da sua história, sem valores ou ética. Animais na sua maioria a viver em situações precárias e desumanas, capazes de matar e roubar para comer.
Foi então adoptado um processo de reinserção social (e de ajuda) que consistia em habitá-los em bairros sociais perto de gente normal e civilizada. Deu merda, obviamente. As pessoas normais acabaram por sair dessas zonas, pondo as suas casas à venda devido ao perigo constante a que eram submetidas desde roubos, assaltos a outro tipo de situações completamente impensáveis. As pessoas que não tinham possibilidades de mudar de casa acabaram por tentar coexistir com essa escumalha. E bairros que outrora tinham sido bairros portugueses normais, onde crianças traquinas brincavam na rua, eram agora guetos de bandos de crime organizado.
O estado já tentou de todas as maneiras possíveis: pôs ao dispor desta gentalha habitações, estudos, nacionalidade portuguesa, saúde, subsídios, e todo um conjunto de ajudas que se calhar um cidadão português de classe média baixa não tem e até necessitaria. Um conjunto de ajudas que dariam melhores condições de vida a esta gente e um melhor futuro. Mas estes animais cospem no prato que comem. E atenção - sei que existem excepções, estou apenas a generalizar e a falar de uma maioria.
Portugal está SATURADO de gente sem estudos e não especializada. É verdade, sim senhor, que Portugal carece de gente jovem e de toda a imigração que possa trazer desenvolvimento ao país. Acontece que toda esta gente imigrante (porque, para mim, mesmo nascidos em Portugal ou com uma "nacionalidade" Portuguesa em papel não o são - continuam imigrantes) são na sua maioria montes de esterco ignóbeis sem estudos, sem nada, não trazem nada a Portugal a não ser REGRESSÃO ao desenvolvimento! Trazem consigo CRIMINALIDADE, ABUSO, INSEGURANÇA, e ainda recebem subsídios e ajudas do estado sem nunca terem contribuído para o país! Há que ser imposta uma lei rigorosa aos luxos migratórios: não deixar entrar qualquer monte de merda, apenas gente instruída e que realmente venha procurar melhores condições de vida e de trabalho e não em busca do El Dourado e da bela da democracia que tantas regalias oferece.
Solução? Claro que existe: recambiar já tudo o que seja imigrante ilegal. Lançar um ultimato a todos os imigrantes legais em situação irregular (sem emprego, sem estudos, sem qualquer conhecimento histórico ou linguístico português) que consiste em duas hipóteses.
  • Esforço pela integração na sociedade e cultura portuguesa (aprender a falar fluentemente português e cumprir escolaridade obrigatória é o mínimo aceitável);
    ou
  • Anulação da nacionalidade portuguesa e recambio para o seu país de origem, e no caso de ter nascido em Portugal, será recambiado para o país de origem de seus pais.
Outra questão: dar visto de nacionalidade portuguesa a um imigrante? Nunca. Esse foi um dos maiores erros do estado português. Nós temos merda suficiente no nosso país com a qual temos de lidar. Não precisamos da merda dos outros. Se querem vir para cá trabalhar tudo muito bem. Se não, andor. As simple as that. Agora... virem para cá... sem saber ler ou escrever... sem saber falar português... pelo amor da santa! Mas andam a gozar com a minha cara ou quê?

A NACIONALIDADE PORTUGUESA NÃO SE COMPRA NEM SE DÁ. HERDA-SE!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carpe Diem!

Disclaimer: O blogger e a autora estão isentos de toda e qualquer responsabilidade referente ás opiniões/ofensas proferidas nesta crónica, podendo conter ainda informação pessoal legalmente protegida por nomes fictícios.


Estava escuro. Ele correu na minha direcção e num abrir e fechar de olhos desapareceu no negrume. Eu estava confusa e assustada olhando em meu redor, tentando procurar a mais fraca claridade para poder delinear o mais incerto traço de um qualquer objecto próximo. Simplesmente para me poder situar no espaço e avançar numa direcção. Então ele agarrou-me a mão com firmeza e encostou a boca ao meu ouvido. Senti e ouvi os seus lábios entreabrirem-se com calma preparando-se para sussurrar...

- Maria João do Carmo Estêvão Pereira! É sempre a mesma porcaria! São quase oito horas!

Acordei sobressaltada. Sentei-me na cama quase por reflexo. A minha cabeça estava a andar à roda, como se tivesse acabado de sair de um carrossel. Numa questão de segundos voltei a mim. Para que raio tinha aquela vaca louca de estar sempre a berrar? Olhei o relógio. Sete e cinquenta. Merda.
Saltei da cama em pânico. Ia chegar atrasada à aula de geografia. Não. Muito pior. Ia chegar atrasada e ainda teria de me sentar ao fundo da sala. No chão. E não num chão qualquer: um chão que muitos pés pisaram, um chão em que muitos ácaros procriaram, um chão que acolheu detritos de tudo e mais alguma coisa que lá entrara agarrado à sola de qualquer sapato, um chão que acolhe, pela certa, uma quantidade de bactérias suficientemente digna da mais alta estirpe de laboratórios de microbiologia. Enfim. Um chão que raramente vê uma vassoura ou um outro instrumento de limpeza. E era aí que eu me ia sentar.
Rapidamente afugentei todos estes pensamentos da minha cabeça quando me apercebi de algo bastante mais aterrador: eu não tomava banho há quase 72 horas. E não tinha tempo para o tomar agora, obviamente. Foi então que comecei a jogar ás escondidas com o meu desodorizante. Ele ganhou.
- Epá, onde é que te meteste, caraças?! - Gritei, já entre o desespero e a fúria.
Não obtive resposta. Oito horas em ponto. Soltei um suspiro enquanto premia, de olhos cerrados, o polegar e o indicador contra a minha testa. Vesti-me em tempo recorde, lavei os dentes, afaguei o cabelo, afoguei-me em perfume e saí de casa.
Perfeito. Esquecera-me do passe. A vida é tão bela. Sou tão feliz. Celebrei este facto efusivamente.
Já no metro e com o passe em punho corri para para apanhar o comboio que acabara de chegar. Desci o vão de escadas duas a duas e lá consegui entrar.
Oito e quinze.
A viagem que me esperava era razoavelmente longa para ficar extremamente aborrecida por ir em pé. O facto de se estar a criar um efeito de estufa devido à quantidade de gente concentrada e encavalitada num espaço tão pequeno aborreceu-me um pouco mais.
Comecei a suar.
Foi então que vi a Ana, uma amiga de longa data. Estava sentada a uns escassos metros de mim. Aproximei-me dela e reparei que ela estava distraída com os fones nos ouvidos.
- Estou a ter um dia de MERDA! - Gritei, lamentando-me.
Ela saltou e lançou um olhar assustado na minha direcção durante um microsegundo, arrancando rapidamente os fones dos ouvidos soltando uma enorme gargalhada ao mesmo tempo.

Lamentei-lhe o meu início de dia e acabámos enredadas em assuntos nada relevantes para o tema desta crónica.
Mudámos de linha de comboio e seguimos destinos diferentes. Oito e quarenta. Merda a dobrar.
Corri para apanhar o comboio que ouvira chegar ao cais. Uma realidade totalmente diferente da do comboio anterior. Se o outro era mau, confesso que não sei como descrever este. Sentia-me numa autentica sauna caracterizada por um odor impertinente. Olhei de soslaio a minha volta. Comecei a suar novamente ao reparar na proximidade física que era obrigada a manter com estranhos. Fechei os olhos e tentei abstrair-me. Se não desmaiei, estive quase.
Saí do metro na minha estação de destino e acelerei o passo até à escola.
Cheguei ás nove em ponto. Sabe deus como. Corri ao bar para comprar uma garrafa de água. Suava e arfava por todos os lados. Dei três goles sedentos e entrei na sala.
A mesa na qual me costumava sentar estava ao sol. Apesar de serem nove da manhã já estavam quase trinta graus ao sol. Dirigi-me à mesa atrás da minha, puxei a cadeira silenciosamente e sentei-me.
Olhando em volta apercebi-me de como a sala se ia enchendo. Um rapaz entrou e sentou-se na mesa ao sol à minha frente, soltou um suspiro e deitou-se sobre a mesa numa posição claramente desconfortável e notoriamente com o objectivo de evitar ao máximo o sol. Deixei de vaguear sobre insolações e seus derivados quando a professora passou á chamada.
- Maria João do Carmo Estêvão Pereira? -perguntou serpenteando o olhar pelas faces que a olhavam, expectantes.
- Estou aqui. - Disse timidamente.
Não consegui deixar de limpar uma gota de suor que me escorria pelo pescoço incomodando-me com leves cocegas.
Nove e vinte. A aula começara. Penso que misturar o ambiente quente e abafado dos dois comboios que utilizara essa manhã na deslocação à escola não seria suficiente para exempleficar o ambiente que ali se estabelecera.
O ar condicionado estava avariado. As janelas não tinham abertura e estavam espremidas naquela pequena sala mais de cinquenta pessoas. Mas o pior ainda estava para vir.
Não faço ideia de quantos graus estavam dentro daquela sala, mas apostaria em vinte, ou mais um pouco, talvez. Bebia água descontroladamente e limpava pequenas gotas de suor que iam escorrendo lentamente pelas minhas têmporas e pelo pescoço. Sentia-me zonza e fraca, não comera nada ainda naquela manhã e por isso estaria com uma fraqueza com certeza.
Nove e trinta. Lembro-me de ouvir a professora a falar de algo sobre as unidades geomorfológicas e acabei por entrar num limbo entre a lucidez o e o delírio e deixei de a ouvir. Ia desmaiar a qualquer momento, a minha visão estava a ficar turva e deixei de ouvir com clareza. Por mais estranho que possa parecer o meu olfacto acabou por interceptar um odor nesse momento.
Era um cheiro que ia para além da lógica humana. Um odor de tal maneira repugnante e fedorento que fiquei instantaneamente mal disposta e agoniada. Olhei em volta para tentar perceber de onde vinha tal infâmia. Lembrei-me de procurar na minha bolsa, dado que já acontecera esquecer-me de uma sande de queijo fresco nela durante quase um mês. Não as tivesse o diabo tecido. Mas não, nada de sande e nada que fizesse o meu universo ter sentido. Então, senti algo a tocar-me ao de leve nas pernas da minha cadeira. O pivete intensificou-se. Olhei com cautela para baixo. Dois pés calçados com nike. Um do meu lado esquerdo outro do meu lado direito, o pivete provinha desses dois focos, ascendendo na atmosfera e fundindo-se nas minhas narinas. Solucei. Virei-me para encarar a criatura dona de tal ultraje. Reparei que era de origem africana e que tinha uma camisola vermelha. Virei-me para a frente veloz-mente. Que merda. Seria isto possível? Claro que sim. E ia ficar bem pior.
Nove e quarenta. O planeta Terra decidira fazer a sua rotação só para me chatear a mim pessoalmente. O sol que há 20 minutos batia no meu colega da frente, fazia-se sentir agora na minha face e no meu ombro. Perfeito. Além de agoniada por um pivete capaz de matar uma ratazana de esgoto e além de fraca e suada pelo efeito de estufa da sala, estava agora numa torradeira solar. Brilhante. Deus ama-me.
Senti-me a sucumbir àquele pivete monstruoso e niquento que se traduzia numa intensa mistura de chulé com esgoto, catinga e merda. Sim: e merda. Cocó. Fezes. Nem na mais repugnante das casas de banho femininas alguma vez me senti assim. Este era um cheiro de meter nojo a cães e fazer fugir o mais badalhoco e mal cheiroso sem-abrigo. Mas a minha sorte, não satisfeita com isto, decidiu dar-me outro brinde.
Reparei que o moço à minha frente sussurrava algo que, incompreensivelmente, me pareciam palavrões e sons de desagrado. Foi então que ele se virou e me lançou o olhar que disse tudo. Ele pensava que era eu a dona de tamanha monstruosidade. Também não o julgo. Atendendo ao meu provável aspecto durante essa peripécia: pele com um tom esverdeado, ensopada em suor, olheiras de fraqueza e agonia e ainda cabelo todo despenteado.
Quando eu pensei que não podia piorar, o sol reflectia-me da cintura á cabeça. Nove e cinquenta. Não podia acreditar. Quarenta minutos daquilo?! Amaldiçoei tudo e todos.
"Que merda de dia." voltei a repetir para mim mesma - novamente.